Coincidentemente, a primeira imagem radiográfica foi ortopédica: a mão da mulher do descobridor dos raios-X, Wilhelm C. Röntgen.

Tão logo surgiram, as radiografias passaram a ser utilizadas na ortopedia para o diagnóstico das várias lesões do sistema músculo-esquelético. Hoje temos a radiografia digital, que utiliza os mesmos raios-X das radiografias originais, mas por ser informação digital, pode ser processada, alterada, transmitida e impressa eletronicamente de uma forma aperfeiçoada em relação às radiografias convencionais.

Naturalmente, todos os métodos de diagnóstico por imagem têm suas limitações diagnósticas e as radiografias não são exceção. Mas elas são excelentes na pesquisa de lesões ósseas, sejam elas traumáticas (fraturas, etc) ou degenerativas (osteoartrose), inflamatórias ou de causa reumatológica (artrites), tumorais, infecciosas, etc.

Posicionamento e número de imagens

O osso é uma estrutura tridimensional e a radiografia mostra a soma de imagens num único plano de cada vez. Para melhorar a acuidade dos exames radiológicos é necessário que o estudo produza 2 ou mais incidências de uma mesma região.

Para que se consiga um melhor resultado, o posicionamento do paciente é fundamental. E quando se trata de um paciente veterinário, como os cães e gatos, muitas vezes necessitamos realizar o exame sob sedação ou anestesia geral.

Fraturas e moléstias articulares

Sem dúvida nenhuma a radiografia é o exame mais utilizado para diagnóstico de fraturas de cães e gatos. Trata-se de um exame bastante sensível e específico, que diagnóstica com precisão mais de 95% de todas as fraturas. Da mesma forma aplica-se para o diagnóstico das degenerações articulares. Quadros crônicos e agressivos são facilmente demonstrados por este exame de imagem.

No entanto se mostra pouco sensível para demonstração de doenças inflamatórias e/ou quadros iniciais de moléstias que provocarão aparecimento de doença articular degenerativa.

Radiografia da coluna vertebral

O exame radiográfico, embora muito utilizado para diagnóstico de alterações da coluna vertebral, é sensível para moléstias específicas como discoespondilite e lesões degenerativas ou anquilosantes vertebrais, mas é pouco sensível para diagnóstico de doença de disco intervertebral ou moléstias medulares. Exames mais avançados como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética são fundamentais para o diagnóstico mais preciso desses quadros mórbidos.

Radiografia das deformidades ósseas

O avanço dos tratamentos dos quadros mórbidos na ortopedia permitiu que novas técnicas fossem implantadas para correção de deformidades dos ossos longos. Para que isso ocorra, é necessário o estudo radiográfico em posicionamento rigorosamente perfeito, pois todos os cálculos são realizados sobre as imagens produzidas. Um erro de posicionamento provocará erros de cálculos e o resultado final da correção pode ser catastrófico. Outras formas de se minimizar estes erros são os estudos em tomografia computadorizada e a reprodução do material em impressoras 3D.